Canhoto digital: como funciona o comprovante de entrega eletrônico
Ver a tela de exemploEm muita operação de entrega, o canhoto assinado ainda é a única prova de que a mercadoria chegou. E ele volta devagar: no fim do dia, dobrado no painel do caminhão, ou como uma foto perdida na conversa do motorista. Enquanto isso, o faturamento espera e o cliente liga perguntando da entrega.
O canhoto digital encurta esse caminho. Este guia explica como ele funciona, o que a nota fiscal eletrônica já prevê para o comprovante de entrega e o que conferir antes de escolher um aplicativo.
O que é o canhoto da nota
O canhoto é a faixa destacável do DANFE, o documento impresso que acompanha a mercadoria com a NF-e. Quem recebe assina, põe a data e devolve a faixa ao entregador. Para a empresa, é a prova de entrega: serve para cobrar, para resolver reclamação e para fechar o frete.
O que é o canhoto digital
Canhoto digital é o mesmo comprovante, registrado no celular do motorista na hora da entrega. Em vez de papel, a baixa leva:
- A foto do canhoto assinado ou da mercadoria entregue.
- A assinatura de quem recebeu, feita na tela do celular, com o nome e o documento.
- A data, a hora e o local da entrega.
- A ocorrência, quando há: recusa, avaria, cliente ausente.
A baixa fica ligada à nota e à rota. Quem está no escritório vê a entrega confirmada no mesmo minuto em que ela acontece.
E quando não há sinal?
Na estrada e na zona rural, o sinal falha. Um aplicativo de entrega que só funciona com internet trava o motorista na porta do cliente. O certo é a baixa ficar guardada no celular e subir sozinha quando a conexão voltar, com a hora real da entrega, e não a hora do envio.
O que a nota fiscal eletrônica já prevê
Os documentos fiscais eletrônicos têm um registro oficial para o comprovante de entrega:
- Na NF-e, a Nota Técnica 2021.001 criou o evento Comprovante de Entrega da NF-e (código 110130) e o cancelamento dele (código 110131). Quem registra é a empresa que emitiu a nota, com os dados da entrega e um código de verificação (hash) da imagem do comprovante. A própria nota técnica diz que a adoção é facultativa.
- No CT-e, a Nota Técnica 2019.001 criou o evento Comprovante de Entrega do CT-e (código 110180), registrado pela transportadora que emitiu o conhecimento.
Na prática, o comprovante do aplicativo pode ficar só no sistema da empresa ou, quando a operação pede, também virar evento no documento fiscal. Se a sua operação precisa do registro oficial, vale confirmar com o contador antes de escolher o aplicativo, porque nem todos enviam o evento.
Cuidados com a foto e os dados de quem recebe
A foto do canhoto, a assinatura e o documento de quem recebeu são dados pessoais, e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) vale para eles. Três cuidados simples:
- Colher só o que a operação usa. Se o nome e a assinatura bastam, a foto do documento de quem recebeu fica de fora.
- Guardar com acesso restrito: o motorista registra, mas só quem precisa consulta depois.
- Definir por quanto tempo o comprovante fica guardado, junto com o contador, e apagar o que passou do prazo.
Como o canhoto digital chega ao faturamento
O ganho não está só na foto. Está em quem vê a foto, e quando:
- O motorista baixa a entrega no celular, com foto e assinatura.
- A baixa sobe para o sistema da operação, ligada à nota e ao pedido.
- O faturamento vê a entrega confirmada e segue com a cobrança, sem esperar o papel voltar.
- O cliente acompanha a entrega numa página, sem ligar para ninguém.
- A ocorrência chega com a foto para quem resolve, no mesmo dia.
O sistema que emite a nota e o sistema de gestão continuam os mesmos: o aplicativo se liga a eles. A página sistemas que conversam mostra como essa ligação funciona.
O que conferir antes de escolher um aplicativo de canhoto digital
Existem aplicativos prontos, e alguns resolvem bem. Antes de decidir, confira:
- Funciona sem sinal, e guarda a hora real da entrega?
- Tira a foto, colhe a assinatura e registra o local na mesma baixa?
- Liga ao sistema que emite a nota, ou alguém vai redigitar a baixa?
- Registra o evento oficial de comprovante de entrega, se a operação precisar?
- O motorista aprende sem treinamento longo? Teste numa rota de verdade, com quem vai usar, antes de assinar.
- Os dados podem ser exportados a qualquer hora, e ficam em conta no nome da empresa?
O sob medida faz sentido quando a operação tem regra própria, como conferência por volume, coleta e entrega na mesma rota ou cliente que exige o comprovante num formato, ou quando o aplicativo pronto não conversa com o sistema da empresa.
Como saber se funcionou
Um número resolve: o tempo entre a entrega e a baixa aparecer no sistema. Anote esse tempo por algumas semanas, antes, com o canhoto em papel, e depois, com o aplicativo. Junto dele, o tempo até o faturamento seguir com a cobrança. São números da própria operação, e mostram se o aplicativo está ajudando de verdade.
Por onde começar
Por uma rota. Um grupo de motoristas usa o aplicativo por algumas semanas, o faturamento acompanha as baixas, e o que falta aparece no uso real, e não na reunião. Depois, as outras rotas.
A página para transportadoras mostra uma tela de exemplo da rota do motorista, com a baixa com foto e assinatura. Para o aplicativo de quem trabalha na rua em geral, veja equipe no celular.